quinta-feira, 19 de abril de 2012

Conta-Gotas



Resposta, eu já sabia que não ia ter. Conheço você o bastante pra saber que não seria diferente das outras vezes. Amo você o bastante pra entender que continuará não sendo diferente. Mas mesmo assim escrevi. Mesmo assim eu tentei me abrir, evitei guardar mais uma mágoa. Preferi tentar adiar por mais um tempo que o copo transbordasse de uma forma que não fosse possível suportar.

Não sei o quanto você conhece de mim. Suponho que seja o bastante pra que saiba que eu espero suas respostas. E hoje, mais do que antes, se eu resolvo falar é porque espero MESMO. Por mais que eu saiba que elas não vão chegar, eu continuo esperando. Mas dessa vez eu esperava outra coisa, não sei se menor ou maior que uma resposta. Eu esperava compreensão. Eu esperava que você conseguisse fazer aquele exercício complicado de tentar enxergar o outro. Eu esperava que você entendesse o sentido de cada uma daquelas poucas palavras que escrevi. 

Mas a gente tem mesmo essa mania feia de esperar demais dos outros. Eu aqui esperando uma resposta sua. Esperando que você me dissesse apenas "tá tudo bem, eu te amo". Não que isso fosse resolver as coisas, mas um carinho seu já me confortaria. Um abraço seu me traria a segurança que nessas horas eu não consigo encontrar. E você daí esperando que eu já tivesse nascido com essa segurança dentro de mim. Esperando que eu não tivesse nenhum dos meus medos ou que não precisasse das suas mãos pra me acalmar. 


sexta-feira, 30 de março de 2012

Cinco

Tá difícil tentar ser filha, amiga, namorada, servidora, estudante e eu. Tudo tão depressa, que escapa dos meus dedos qualquer pretensão de perder tempo. Me sinto perdida entre um passo adiante e uma volta atrás. As tentativas de estar em todos os lugares desejáveis com todas as pessoas que amo ao mesmo tempo são inúteis. O final de semana cada vez mais curto. Começa na noite de sábado e termina junto com o domingo que a gente quando sente, já passou. 

E no meio de trabalhos, horários, ônibus lotado, entrevistas, textos e notas de empenho eu vou me distanciando de uma boa conversa com amigas, de uma visita à minha vó, de um papo gostoso com a minha mãe, de um cafuné numa cama cremosa e quentinha.
 
Não, eu não estou reclamando. Não quero reclamar! Não posso reclamar porque se estou apertada e se meu tempo acaba antes de eu terminar as tarefas do dia, é por ótimos motivos. Estou fazendo coisas que me agradam, que me desafiam e meus olhos brilham com tantas novidades. Mas dói demais essa coisa de ao abrir uma porta, ter que fechar outra. Não quero fechar portas! Quero a casa toda aberta, esperando você chegar.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A melhor coisa do mundo





Existe uma coisa mágica, que provoca em mim sensações únicas. Não sei explicar como acontece, mas de repente me sinto envolvida por uma energia que me traz paz, alegria, amor, euforia. Um êxtase. É como se eu estivesse hipnotizada, em transe. Isso acontece quando eu ouço música. 

Mas é claro que não é qualquer música. Tem que ser AQUELA música. A música que se encaixa perfeitamente com o momento, com a pessoa, com o sentimento. E música que se encaixe em mim dessa forma, é o que não falta. São várias as que são capazes de me fazer sentir o coração bater, o nó na garganta, o brilho nos olhos, o sorriso se formando, as palavras saindo devagar da minha boca formando a letra, o meu corpo se mexendo no mesmo ritmo. 

Aprendi esse ritual numa casa muito especial, na Rua do Ouro. Na sala, no terraço, ou em volta da churrasqueira ouvi canções que me tocaram muito e vi meus familiares se emocionando com canções que faziam parte da vida deles. Meu pai, principalmente, é o cara que entra nesse clima mágico e se purifica através do som. Parece que ele vai se refazendo, recarregando as energias e colocando pra fora um turbilhão de emoções que guarda dentro de si. É ali, ouvindo a música, nesse ritual mágico, que a gente transborda.

E foi num desses dias de festa, comida e música boa na casa da Rua do Ouro, que eu cheguei a essa conclusão: música é a melhor coisa do mundo. Estávamos ouvindo Los Hermanos, claro. Mas hoje, ao ler esse post do meu pai, concluí novamente: música é a melhor coisa do mundo. E tenho certeza que em muitos outros momentos essa conclusão virá a tona. 

É tradicional lá nos Almeida ouvir música no volume máximo e cantar mais alto que o som. Não se importar com a afinação ou com o que os vizinhos vão pensar. Simplesmente ouvir, cantar, relaxar e curtir. É um momento único, mesmo que a canção esteja tocando pela décima vez. E eu me rendi a essa tradição. Gosto muito de ouvir e cantar. Ultimamente tenho ficado mais no fone de ouvido, porque a vida em coletivo me priva de certas delícias pessoais. Mas eu juro que às vezes dá vontade de ignorar os que estão em volta e soltar a voz. Às vezes até faço, mas é raro. Sou tímida.

Deve ser por essa coisa com a música, que veio no meu DNA, que eu me apaixonei loucamente por um músico. E pretendo cantar e dançar com ele pro resto da vida.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Velha e Louca

16 de março. 08:47 da manhã. Cena 1:

De frente pro espelho:

- 25 anos. Nossa, como isso é velho.
- Não, fala sério! Quantos anos você tem??
-25. 


É, fiquei velha. 25 anos. Não sou mais menina. Se eu usar uma blusa da Hello Kitty fico parecendo uma tia sem noção. Ah, e eu já sou tia mesmo, de verdade! Mas quer saber? ADORO ser tia. 

Já posso usar creme anti-rugas, salto alto, roupa de trabalho e batom vermelho. Tô velha. Vejo as menininhas de 18, 19 anos e, apesar de rolar uma pontinha de inveja da falta de preocupação delas diante da vida, morro de rir. Penso: vocês são tão ingênuas... 

Ingênua sou eu, que só porque fiz 25 anos tô me achando. Tô me achando mesmo! Tô gostosa, linda e... louca! 

Cantemos com a Mallu:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O fantástico mundo do SE



As gramáticas da língua portuguesa nos ensinam que, entre outras formas, o pronome se é empregado como símbolo de indeterminação do sujeito. Dessa forma,  ele detém a função de deixar vaga a ideia do sujeito. Por aí já se vê que quando o se está no meio da estória, alguém está perdido. E esse alguém é o sujeito. E esse sujeito pode ser você.

O se é o famoso contar com o ovo na galinha. É esperar por uma coisa que pode ou não acontecer, independente da sua vontade. O se do futuro é a confiança cega na esperança. É como apostar as datas de nascimento dos familiares na Mega Sena e fazer planos com o prêmio milionário. O se do passado é imaginar que haveria uma chance de apertar o reset. Lamentar que poderia ter sido diferente, se fossemos um pouco mais espertos. Lamentar a nossa burrice, culpada pelo nosso ataque à caixa de bombons.

Reconhecer o se pode ser útil. Mesmo que o botão reset não esteja funcionando, a gente sabe que da
próxima vez pode tentar diferente. E calcular possibilidades futuras pode ajudar a escolher alternativas melhores. Mas é preciso ter cuidado, porque a desilusão de uma jogada errada é chata e incomoda. E a lamentação por uma escolha mal feita, quando perdura, não serve pra nada além de nos cegar diante de novas e melhores possibilidades.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SEMPRE tem um chato!

Estou construindo uma tese sobre a existência de um ser incoveniente e idiota em todo espaço de convivência social obrigatória, leia-se: trabalho ou escola/faculdade. Sempre tem um chato! Aquele tipo que faz perguntas desinteressantes e impertinentes aos professores, desvia o assunto pro lado dele, fala de si mesmo o tempo todo (com a justificativa de que está fazendo marketing pessoal), e jura de pés juntos que o mundo gira em torno de seu umbigo sujo. Em menos de meia-hora de conversa o sujeito já dá detalhes de sua vida sempre deixando bem claro que sim, ele é o cara. Outro passatempo preferido dessas espécies é mostrar pro mundo que ele sempre sabe tudo sobre qualquer coisa. E que ele sempre tem a melhor opção pra tudo o que você precisar ou não. A resposta dele sempre é a melhor. Ele é sempre o mais esperto. Enfim, mais uma vez ele quer que você não tenha dúvidas de que ele é nada menos (mais até pode ser) que o cara.

Eu não estou brincando, esse cara existe! Pior: existem vários caras desses por aí. É uma praga que dá onde tem gente. Salas de aula e repartições de órgãos públicos são seus habitat's preferidos. E eu, como nasci abençoada, dei a sorte de encontrar sempre com pelo menos um deles, em pelo menos um dos dois ambientes. Mas eu acho que tem uma explicação pra ploriferação da espécie. Pra cada chato de plantão, tem um, dois, três ou mais babacas pra patrocinar a incoveniência. Sempre tem um bobo pra rir, um inocente pra acreditar e outro pobre coitado pra ser seu capacho e assim, garantirem o sucesso de seu reinado.

E eu, que sou meiga, fofa e educada, sorrio. Coloco meus fones de ouvido e sorrio. De vez em quando, dependendo da temperatura ambiente e do período menstrual eu até dou de leve, como quem não quer nada, uma risada ou outra mas claro, sem me esquecer daquele comentário irônico que o gente boa nunca vai entender. E assim a gente vai levando... torcendo pra que o fim de semana chegue logo e custe um pouco mais a passar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Como um Girassol

Para as flores que eu quero sempre cultivar no meu quintal: Marina Lopes, Eliana Campos, Monique Siqueira, Natália Cordeiro, Natália Resende, Marina Lana, Lorena Barboza, Simone Lacerda, Rita Lacerda, Josy Lima e Paulinha Lisboa.

Eu sou daquelas que acreditam no acaso. Eu acho que as coisas acontecem pra gente de uma forma que, a princípio, podem não ter explicação, mas em algum momento a gente alcança o sentido e entende que assim deveria ser. Da mesma forma, acredito que existem pessoas que surgem na nossa vida, não por escolha nossa, mas por escolha de Deus. São pessoas que vem para fazer alguma diferença, pra trazer luz pra nossa vida. Essas são as pessoas as quais eu chamo de amigos. Nesse sentido, eu me considero um ser muito abençoado, porque me mandaram lá de cima pessoas que realmente fazem a diferença na minha vida. São pessoas que possuem uma luz interior tão grande e forte, que as tornam capazes de ao se aproximarem de mim, iluminarem meus olhos e me fazerem enxergar tudo de uma forma mais limpa e colorida.

Eu tive a sorte de encontrar por aí alguns seres que às vezes nem parecem que são humanos, de tão especiais. Mas é entre uma gargalhada e outra, um segredo contado baixinho pra que nem as paredes ouçam ou um olhar sincero de compreensão que a gente reconhece no outro uma coisa que temos também dentro de nós e que nos une: o coração. E então a gente entende o que é amor, carinho e descobre que o resultado disso tudo não pode ser nada menos que amizade.

E essas pessoas estarão sempre entre as coisas às quais eu quero sempre agradecer. Porque são nelas que eu encontro força pra tentar ser cada dia um pouco melhor. E é com elas que eu quero sempre ter mais um motivo pra comemorar, pra brindar, pra compartilhar e pra sorrir.