sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

crescer e aparecer?

tenho morrido de saudades da minha infância, todos os dias.
queria tanto a casa da minha vó, limpinha, agradável, com cheiro bom de sonho fresquinho, quentinho e doce.

é que acordar às 6 da manhã nunca foi muito legal. e agora, acordar desesperada por tomar um café light, colocar uma roupa leve, porém discreta, me lambuzar toda em um protetor solar e perder a mensagem matinal da Ana Maria Braga porque eu tenho que chegar às 8, é estranho. quando chega sexta-feira eu já tô quase chutando o balde. só não chuto porque lembro da minha amiga guerreira que dizia: "falta só mais um pouquinho, eu aguento".
e aí que quando vai chegando o fim do expediente (que palavra chata! meu chefe adora, não sei porque), eu sonho em chegar em casa e me esburrachar no sofá com um misto quente crocante, catchup e coca. rá! quem me dera...
chagando em casa tem roupa suja me esperando, banheiro nojento pós-carnaval me suplicando por vassoura e desinfetante e vários tópicos sobre direito administrativo e blá blá blá, que pedem urgência!
tenho sonhado com provas, estágio e respostas negativas por todos os lados. acordo assustada, com medo e me forçando a fechar os olhos logo e voltar a dormir, pra não desperdiçar nenhum minutinho de sono.
sempre odiei rotina. mas não sei como fugir dela. também não quero ser hippie. deus-me-livre de não ter expectativas de banho. eca!!
e daí que está chegando o fim-de-semana. é, hoje é sexta.
ainda bem que eu tenho um tchuco fofíssimo me esperando no meu buteco preferido.
ah, ele tem salvado a minha vida!

e me diz, com essa vida de mulher independente que eu inventei seguir, como é que se faz pra não colocar minhas expectativas de felicidade naquele cantinho cremoso da cama dele?
já tô pensando em casamento. sem Igreja, por favor!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

meu problema

talvez seja por você ser assim tão seguro.
e porque eu sou assim tão insegura.
qualquer palavra torta que sai da sua boca e entra em meus ouvidos, já me faz o coração palpitar desesperado. e você vê isso nos meus olhos.
qualquer olhar seu despretencioso pra uma bunda alheia me faz lembrar de cada uma das minhas celulites e querer nascer outra vez, sem meu vício de coca.
talvez sejam todas essas coisas; todas os seus carinhos. seus olhos que mudam de cor.
e talvez não tenha solução.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

sobre medos

de altura:

é que quando você me leva pra passear, eu subo tão alto, que dá medo.
eu fico tensa e seguro mais forte a sua mão. morro de medo de soltar e escorregar.
(mas aqui em cima tá tão gostoso...)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

sobre os olhares

porque eu guardo na minha memória tudo o que eu senti em todos esses momentos. e eles significam um tanto, só ainda não sei porque.
eu tinha 16 anos. cheguei encantada e assustada. mas cheguei sabendo que eu ia ficar. eu e a minha intuição, numa relação íntima. sempre assim. lembro exatamente do sol forte. meio dia. calor intenso entre tantas montanhas. a casa tinha um cheiro e um ar leve. o cheiro lembarava o da casa de Congonhas. os móveis e já a porta de entrada, de uma madeira maçissa. pesado, forte, mas acolhedor.
eu fui até lá, onde não sabia o que ia encontrar, assustada. o coração batendo e o rosto vermelho de vergonha. é assim até hoje quando chego lá.
e a primeira imagem de que me lembro, foi das sombrancelhas dele se levantando. não vi seus olhos, só as sombrancelhas. e foi como se elas me dissessem lá dentro, qualquer coisa. todos eles me encantaram.
o outro, o centro das atenções. uma beleza que me deixava estática. eu já estava apaixonada por tudo aquilo, que era tanto! era tudo nele que me deixava assim. eram os cabelos, chamando minhas mãos. era o sorriso torto. eram os olhos, os mais lindos do mundo.
e no mesmo dia, eu saí pra conhecer. e conheci. dobrando uma esquina, me deparei com um outro. cabelos ao vento. a marca de liberdade. parecia que havia alguma coisa entre nós. qualquer coisa que nos fez olhar pra trás, num movimento magnético.
eu sabia que esse seria o meu paraíso. esse lugar era todo meu.
e desde então, foi um olhar atrás do outro. uma batida do meu coração atrás da outra. galopava toda vez que me aproximava.
e eu fui ao inferno, tive medo. tenho muito, ainda.
e eu fui quebrando aos poucos todas as minhas certezas. esses olhares só me enchem de dúvida.
minhas pernas bambas. minha mãos trêmulas. meus olhos cheios de nuvens. é uma emoção que me assusta, ainda hoje. só de pensar.
e muito aconteceu. 6 anos se passaram.
hoje, quando conversamos sobre família, sobre desejos, sobre nossos traços, sobre amor, eu sinto um não-sei-o-quê. eu olhos nos seus olhos e me sinto marcada, a cada segundo. como se esses seus olhos - os mais lindos do mundo - se eternizassem em um brilho que me queima lá por dentro. ontem você disse que acredita no amor. e eu, tão sensível, que sonho tanto com ele, quase desmaio nessa hora. eu gosto tanto de você. gosto tanto do seu cuidado pelas pessoas. adoro muito quando sinto esse seu cuidado por mim. quando você quer me proteger, assim, atoa. só porque você é... você. cada um é único. mas você parece que é mais, de você mesmo. não pode ser atoa que meus olhos gostem tanto assim dos seus. não pode ser atoa que eu sinto que a gente ainda tem muito o que acontecer. não deve ser atoa que eu me sinto tão sua, mesmo tão sem sentido. é que nessas conversas eu fico pegando sentidos, recolhendo significados diversos de cada palavra. e quero juntar tudo num destino escrito nas estrelas. aquelas que enfeitavam o céu quando você me disse que acreditava no amor, e piscavam vendo meu coração sorrir pra você. eu queria te dizer que eu sei de alguma coisa que eu tenho medo. mas eu não sei de nada perto de você.
e aquele que levantou as sombrancelhas, me destrai de você com um papo descontraído. e eu adoro brincar de ser engraçada. adoro a risada dele quando eu solto meus comentários tolos. eu só quero te ver sorrir, cara. seu sorriso é provocador. dá vontade de te bater, de xingar e pedir que pare com isso. porque você me deixa boba. e eu queria muito saber mais de você. ao contrário do outro, você se esconde nas músicas recheadas de palavrões. você ainda é um muleque rebelde. e a sua rebeldia é tão excitante. só de pensar que nunca vou te prender, fico louca. bebo a caipirinha ácida, escutando você dizer que sente ciúme. por uns instantes você se destrai e se deixa mostrar mais um pouco pra mim. e eu gosto muito disso. de repente você se torna o cara mais simpático do mundo, não só pelo álcool no meu corpo. mas porque esse seu sorriso...
você se mostra gentil. e parece querer me agradar. mas você é discreto. e me lembra que é fechado e gosta de ser. por isso é que eu preciso ficar procurando rastros de todas as coisas que eu adoraria escutar de você. no pouco que você diz, eu tento entender mais.
a noite está no auge. chegou a hora de se entorpecer. mas eu já delirava nesses olhares. já viajava nas minhas percepções criadas. mergulhava em fantasias dos sentidos que eu queria tanto achar em suas frases, em suas mãos, na sua roupa bonita. eu fui também.
peguei um livro e fiquei observando, só. ele que me protege, não me deixou experimentar.
e eu vi uma cena que vai ficar guardada pra sempre. vocês dois tocando violão, você cantando. sua voz é cruel com a minha carência. me faz pensar que é só disso que eu preciso. e querer demais você. vocês dois cantando The Beatles. eu queria ser duas também. era tudo o que eu queria.
e eu termino a noite deitada na sua cama, sem você. te espero mais um pouco. tento te provocar, me esquecendo que você simplesmente não demonstra. esse era agora meu consolo. a desculpa que eu inventei pra explicar pra mim a sua distância. mas eu sei que foi melhor assim.
essa era uma noite clássica, das minhas. o tipo de noite em que eu me divirto bebendo, seduzindo e me entregando de corpo pra um homem qualquer. a noite em que eu me limito a ser só prazer. e não me permito preocupar com nada além da intensidade do orgasmo. mas você é tão filho da puta, que nem sequer me encostou. e eu me vesti de manhã, com uma ponta de frustração. porque passei o resto de uma madrugada enfumaçada na cama de um cara pro qual eu não dei. eu não dei. e nem acredito nisso.
talvez eu tenha ido pra casa, depois de me despedir de você com um abraço, me sentindo mais. nem sei.
parece que sonhei com bolinhas de sabão.