terça-feira, 14 de dezembro de 2010

"Encontros e Despedidas"

"e assim chegar e partir
são só dois lados da mesma viagem"
Milton Nascimento
faz pouco tempo que eu cheguei. mas nem preciso dizer que o tempo, ah, o tempo, sempre ele, parece ser muito maior. um amor que já existia, que veio não sei de onde e foi cresecendo, se instalou em mim quando vim de malas prontas pra cá. eu cheguei aflita, com os olhos brilhando e subi essas montanhas procurando liberdade. e encontrei, por todos os lados. eu fui espalhando meus sonhos por todas as ruas, becos e ladeiras que percorri. eu encontrei carinho. eu encontrei alegria. eu arranjei motivos pra manter meu coração batendo, descompassado, às vezes acelerado e às vezes tranquilo. eu tinha a vida saltando aos olhos.
eu me perdi entre tanta gente. me confundi em algumas paixões. conheci amigos que já eram irmãos, eu sei. eu sinto. eu senti aquele nó na garganta. aquele, que só eu sei o quanto significa. eu amei, eu chorei, eu gargalhei, eu rolei, eu me entreguei.
eu fiz família. plantei sementes de amor no quintal de uma casa que eu sei, será minha pra sempre. eu quis ficar, sempre tive medo de fugir. e não foi só por alegria, não foi só felicidade. e é por isso que se fortaleceu, cresceu, hoje é amor.
hoje eu tô indo embora. mas sei que ainda tenho muita coisa aqui. eu posso dar voltas pelo mundo, mas será esse sempre o meu lugar. o lugar do mundo que tem meu coração de presente. e eu volto, sei que volto. pode ser no carnaval, pra dançar e brindar felicidade. pode ser pra ficar, quem sabe?
Ouro Preto, eu te amo!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

noites de 5ª Capítulo I - O professor

"todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem"
Fernando Anitelli

- Marcela?
- Presente.
Peguei logo minha bolsa e saí da sala. O dia não tinha sido bom. Também não tinha sido ruim, mas eu tava chata. Queria logo ir pra casa, tomar um banho e me esparramar no sofá. Já tinha desistido de esperar o telefone tocar. Aquela desculpa de que a bateria acabou e "daqui a pouco te ligo" não colou mas também não fez nenhuma diferença. O mau-humor já tava no nível 8, em uma escala de 1 a 10. Com certeza chegaria ao nível 11 quando chegasse ao ponto de ônibos. Adoro fazer as pessoas me esperarem. Odeio esperar qualquer coisa que seja.
Estava eu lá, parada, impaciente esperando o maldito ônibus. Pensei em ligar. Pensei em mandar uma mensagem de cobrança. Pensei em fazer a pergunta ridícula: esqueceu de mim? A resposta eu já sabia, estava cansada de saber. Poderia até não ter esquecido. Mas naquela noite deveria haver algo mais interessante do que ver tv ao meu lado.
Eu olhava todos os carros que passavam. Em um deles, estava o professor. Achei que nem fosse me enxergar. Mas pra minha surpresa, parou e ofereceu carona. Entrei no carro e ao ouvir sua voz me arrepiei. No som um blues deixava o ambiente e ele ainda mais sexy. Como eu nunca tinha reparado nas sua mãos? Molhei os lábios quando vi ele trocando de marcha e imaginei aquelas mãos nos meus quadris.
Qual seria o problema se eu demonstrasse algum interesse? O máximo que poderia acontecer era eu tomar mais um fora. talvez até dormiria melhor, mais apagada. E na sua voz, eu já tinha reparado. Voz de cafajeste. Não seria muito provável que ele resistisse a um charme.
Ele perguntou como eu estava. Eu respondi: com calor, com sede, estressada e louca por uma cerveja gelada. Então decobrimos uma coincidência e resolvemos mudar o caminho. Paramos no primeiro bar que apareceu e lá ficamos até as 2:00.
Descobrimos detalhes incrivelmente parecidos de nossa personalidade. Exatamente às 23:48 ele me contou de sua primeira viagem à Europa. Às 00:23 começamos a falar sobre música. Quando o relógio apontava 01:36 ele me confessou ser apaixonado por mulheres de seios fartos. E indiscretamente, conferiu o meu decote. Eu não parava de olhar pro celular. Ainda restava uma esperança ingênua. Após o último gole de cerveja saímos em direção ao carro. Eu não queria ir pra casa. E foi isso que eu disse. Desliguei o celular enquanto senti sua mão apertando minha coxa. Era tarde demais...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

flerte

ele diz coisas sobre ela. demonstra interesse. sabe que ela pega o ônibus todos os dias naquele ponto. até percebe quando ela não vai.
ela, lisonjeada, acha graça no jeito dele. gosta dos seus 7 anos a mais de idade. vê um charme quase irresistível nos seus 30 anos.
as conversas rápidas e sem pretensões colam na cabeça dela, que acaba sonhando com ele.
à beira de uma paixonite sem sentido (mais uma), ela passa as tardes esperando que ele apareça e seja um pouco mais direto. atrapalhada, faz um convite sutil. em troca, recebe outro, com uma discrição quase nula das reais intenções do tal homem desconhecido que a conhece.

mas a melhor parte, é o quanto ela se diverte!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

dezesseis anos de amizade - capítulo 2

nem tudo que a gente planeja dá certo, né? ainda mais quando se começa a combinar uma coisa com uma semana de antecedência. várias coisas deram errado. mas nenhuma delas nos impediram de fazer o tãããão esperado encontro.
primeiro, a menina que ia ceder o quintal pro churrasco brigou com a irmã. daí o clima ficou ruim na casa dela e achamos melhor não ir pra lá. depois, eu tive uma cólica de rins na madrugada de sexta. estou com suspeita de cálculo renal. portanto, cerveja proibida e, consequentemente, menos besteira pra gente falar.
mas acabamos indo pra um buteco que há muito tempo não íamos e que tem um tira-gosto ótimo! lá, eu esqueci a cólica e as possíveis pedrinhas nos meus rins, encarnei a falta de juízo e tomei uns goles de Antártica Original (minha preferida).
rimos muito, contamos casos novos, relembramos os antigos e no fim da tarde descobrimos que não mudamos nada. continuamos as mesmas. com manias e jeitinhos de dezesseis anos atrás. a Eliana continua escandalosa, falante, engraçada e com aquele jeito forte, mulherão. a Natália, continua calada, às vezes crítica, um pouco irônica, inteligente, com sua personalidade forte e misteriosa. a Monique, com a mesma inocência que se mistura entre o engraçado e o encantador; compreensiva até não caber mais onde, uma alma linda, um coração sem medidas. e eu? ah, sei lá! acho que eu continuo sonhadora, boba, brincalhona e amando um tanto cada uma delas!
não ficamos só no besteirol. falamos de trabalho, de planos para o futuro. agora um pouco mais pé no chão. podemos ver em cada uma aquela ponta de maturidade da qual sempre falo por aqui. uma disputando com a outra, discretamente, qual será a primeira a se casar.
segredos rolaram suavemente sobre a mesa. demonstrações de carinho. palavras de saudade. promessas sinceras de nunca mudar nada, de nunca deixar que o tempo ou a estrada nos distancie.
enfim, foi um dia especial. como sempre são os dias em que estamos próximas. mais uma data que ficará na memória de cada uma de nós. mais histórias pra contar!
infelizmente eu acabei esquecendo de levar minha câmera. tiramos algumas fotos com outra câmera, mas ainda não pude pegar.
vou ficar devendo a foto. :(
mas é claro que essa história não termina aqui...
espero que o próximo capítula seja escrito em breve!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

dezeseis anos de amizade - capítulo 1

nos conhecemos aos 7. e desde lá, na primeira série da Escola Estadual "Engenheiro Oscar Weinschenck", não nos desgrudamos. e nem mudamos muito. passamos por momentos simplesmente eternos. coisas que ficaram e daqui de dentro não saem nunca mais. o primeiro beijo, o primeiro namorado, o primeiro porre, os preimeiros erros, grandes conquistas, a faculdade, dificuldades, distância, e o mais importante: amor.
às vezes ficamos tempos sem nos falar. desencontros, essa vida agitada de todo mundo. uma pra cá, outra pra lá. mas quando bate a saudade, sabemos bem onde podemos nos encontrar. e é sempre muito especial.
Eliana, Monique e Natália. as amigas de sempre. neste sábado nos reuniremos na casa da Eliana. vai rolar um churrasquinho e eu estou super animada! prometo que na segunda-feira eu volto pra contar e vou trazer fotos.

:)

Mimo e Meme


Ganhei da Michele, do O Diário de Marin Jones.

Daí tem o meme: citar 10 coisas que amo.

São elas:

- namorar o Pablo;
- cozinhar;
- comer;
- fazer qualquer coisa com minhas amigas;
- o filme: Le Faboulex Destin d'Amélie Poulain;
- tomar cerveja e ouvir boa música com meu pai;
- me lambusar de hidratante e usar uma lingerie nova;
- comprar;
- ler e escrever em blog's;
- sentir o cheirinho da minha vó Mariquita;

É claro que existem mais muitas coisas que eu amo. Mas é por aí...

E eu tbm deixo à vontade pra quem quiser o Mimo e o Meme.

:)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

do seu jeito

I said I love you and that's forever
And this I promise from the heart
I could not love you any better
I love you just the way you are.
Just the way you are - Billy Joel
na voz de Diana Krall



opções é que não me faltam. eu poderia me derreter pelo colega de sala, dedicado e atencioso. poderia me render ao fogo daquele ex-peguete bem dotado, safado, cafajeste - o tipo certo de cara errado. ou poderia me sentir segura ao lado daquele homem mais velho, já formado, bem empregado e compromissado - o genro que toda mãe sonha em ter.
poderia ter me encantado com o jeito com que ele abre a porta do carro. poderia me apaixonar devagar, dia após dia, com as mensagens recebidas no celular antes mesmo de acordar agradecendo por eu estar ao seu lado. poderia me derreter vendo sua preocupação com a saúde da minha mãe e a solidariedade com a saudade que sinto da minha vó.
mas não me peça para responder o motivo pelo qual nada disso me toca. nunca foi tão importante. eu, talvez tola, me apeguei ao seu jeito largado de ser. me acostumei a saber que você não vai me ligar todos os dias pra saber se eu cheguei bem em casa. vai me ligar quando sentir vontade e só. eu, apaixonada, aceito que você não se preocupe tanto com o meu nervosismo pré-concurso e prefira que eu não começe a chorar repentinamente. entendo que você não consegue entender esse meu lado tão frágil e exija de mim uma força que não sei mais de onde tirar.
eu tive diversas opções. variações da mesma espécia bateram na minha porta pedindo pra fazer parte da minha vida. até eu compreendo que haviam escolhas melhores a serem feitas. mas infelizmente, não se escolhe amar. não é assim. não dá pra calcular os prós e os contras. quando se dá conta, já é tarde.
esqueci todas as desvantagens e me apaixonei pelo seu jeito sossegado. pelos seus braços que me enlaçam sem deixar espaço pra mais nada. me entreguei ao convite do seu corpo na minha cama pra não fazer nada o dia inteiro além de olhar você. me rendi ao cheiro da sua roupa e quis me misturar na sua pele. quis cantar todas as canções pra você dançar ao som da sua música mesmo sem ser bailarina.
e hoje eu sei que o homem que eu amo é cheio de defeitos. mas que mesmo esses defeitos eu aprendi a amar. e que não sei mais viver sem cada um deles, pois é disso que ele é feito. e assim, eu aceito você. aceito você não gostar do Corinthians, aceito você fazer brincadeira com tudo (até com o que não deve), aceito você não ter a iniciativa que eu gostaria que tivesse, aceito ter que puxar sua orelha mesmo sabendo que você não gosta tanto, aceito saber que você não vai mudar. e quero mesmo qua não mude nunca, porque não quero nunca mais deixar de te amar.