quarta-feira, 15 de junho de 2011

curta metragem nº1 - Nadir e a bola

Uma série de pequenas imagens que serão guardadas pra sempre. 

Eu tinha 6 anos. Entre as brincadeiras favoritas, além das comidinhas de barro enfeitadas com rosas, estava a bola de borracha. Eu jogava vôlei sozinha. Aliás, jogava vôlei com a parede. A parede era minha parceira e minha adversária.

- Pára com essa bola! 

Eu nem escutava. Queria fazer pontos. Não me cansava. Gostava de sentir a bola encostando quente na palma de minhas mãos. Não queria obedecer a minha avó.

- Pára com essa bola!

E aí a Nadir chegou no beco. Eu nunca gostei daquela mulher gorda, loira de olhos azuis que insistia em enfiar o nariz onde não era chamada. 

- Carolina, me dá a bola. Eu não vou entregar pra sua vó, prometo.

- Não, você vai dar pra ela e ela vai jogar no rio, eu sei. 

- Não vou, prometo. Me dá a bola aqui! 

Não me lembro se foi por medo, mas acabei lhe entregando a bola. A Nadir a pegou e, com a mão que estava escondida, deu-lhe um golpe de faca, rasgando sem dó toda a minha inocência de criança. 

4 comentários:

Dai disse...

Gente, que ódio dessa Nadir. Que malícia, de fato ela não entregou a bola para a sua avó.

Meu namorado costuma dizer que se a gente morar em casa (e não apto) que ele irá desenhar um gol no muro para as crianças. Eu deixo.

Pessoas ressentidas como a Nadir nunca vão saber o que é lúdico.

beijo

Jaya Magalhães disse...

Nadir é muito filha da puta, hein? Desculpa, revoltei total com ela.

Eu no seu lugar, miúda, teria chorado bastante.

Engraçado como algumas lembranças grudam, né? Mas sabe de uma coisa? Você ainda é toda menina, mesmo com essa inocência "rasgada". (:

Beijo, Cá.

Gabriela Furtado disse...

Deus do céu, que mulher horrível.Fiquei até com medo...
Beeeijooos querida =***

Alexandre Fernandes disse...

Antes de ler o fim eu imaginava um desfecho assim. Mas na hora a gente nem consegue mensurar estas possibilidades. Poxa, dá revolta.

Beijo!