Uma série de pequenas imagens que serão guardadas pra sempre.
Eu tinha 6 anos. Entre as brincadeiras favoritas, além das comidinhas de barro enfeitadas com rosas, estava a bola de borracha. Eu jogava vôlei sozinha. Aliás, jogava vôlei com a parede. A parede era minha parceira e minha adversária.
- Pára com essa bola!
Eu nem escutava. Queria fazer pontos. Não me cansava. Gostava de sentir a bola encostando quente na palma de minhas mãos. Não queria obedecer a minha avó.
- Pára com essa bola!
E aí a Nadir chegou no beco. Eu nunca gostei daquela mulher gorda, loira de olhos azuis que insistia em enfiar o nariz onde não era chamada.
- Carolina, me dá a bola. Eu não vou entregar pra sua vó, prometo.
- Não, você vai dar pra ela e ela vai jogar no rio, eu sei.
- Não vou, prometo. Me dá a bola aqui!
Não me lembro se foi por medo, mas acabei lhe entregando a bola. A Nadir a pegou e, com a mão que estava escondida, deu-lhe um golpe de faca, rasgando sem dó toda a minha inocência de criança.