Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Coisa de gente grande




De todas as minhas nostalgias, a que perdura é a da inocência. Talvez porque seja aquela inocência gostosa umas das coisas que o tempo e a vida me roubaram de uma forma mais cruel, tão definitiva. Dá saudade de quando eu sabia saborear um algodão doce sem pressa, sem medo, sem culpa. Dá saudade de quando eu só precisava fazer as contas da prova de matemática, que mesmo com dificuldade, de um jeito ou de outro eu me livrava disso. Dá saudade de quando não era necessário se preocupar tanto. E sobrava mais tempo pra sonhar. 

Disse hoje a um amigo que é difícil não racionalizar tanto as coisas aos 25 anos. Penso, logo desisto. E é por isso que não me arrependo de ter agido bem mais que pensado aos 15 anos. Como era bom fazer as coisas por elas mesmas, sem sofrer tanto com as consequências que ainda estavam por vir. Como era bom seguir os desejos e saber aproveitar o gosto de cada um deles, o máximo que pudesse. 

Eu fui aprendendo aos poucos a pensar muito. Fui vendo que as coisas são mais sérias do que parecem. E confesso que às vezes levo a sério demais essas coisas que eu aprendi. Fui preenchendo minha vida de coisas adultas e me distanciei demais da criança alegre que eu tinha dentro de mim. Aquela menina que não precisava de muito mais do que as bolinhas de sabão. Hoje eu vejo que estou me tornando uma adulta que vive medindo sonhos. Fazendo cálculos com as expectativas com todo o cuidado de não se decepcionar e de não frustar os outros. E de repente bate uma sensação de que está tudo errado, de que eu posso ser melhor do que isso. E de que eu nem preciso de tanto. E de que ser feliz não precisa dar tanto trabalho. 

Talvez eu só precise de verdade de um bambolê, um copo com água e sabão e um canudinho. Depois disso, o sorriso no rosto vem de graça. E é muito mais sincero.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Entre o fim e o começo, existe o meio!

É chegada a hora de dar corda no relógio. Zerar o cronômetro. Apertar o start. Começar denovo? Um, dois,três e... já! Ou seria 3, 2, 1... BUM! Vem aí 2012! Novinho, como aquele caderno que eu adorava ter nas minhas mãos uma semana antes das aulas começarem. Limpo, como uma folha branca. Pronto para receber as cores, os traços e as letras.

Não sou de fazer listas. Nem de fazer promessas. Não sou uma boa pagadora de dívidas, por isso não me proponho a sair devendo a mim mesma. Nesse exato momento, muitas pessoas estão acertando as contas. Terminando de fechar o caixa e descobrindo se o saldo é positivo ou se vão ficar algumas notas inscritas em restos a pagar (Ai, como eu tô contábil! Que medo!).

Mas quer saber o que eu acho? O que passou, passou. Se eu vejo 2012 como uma folha branca, onde poderei desenhar e escrever o quanto couber e o quanto minha imaginaçã deixar, não quero simplesmente rabiscar a de 2011 ou amassá-la e jogar no lixo. A renovação existe. Vira-se, de certo, mais uma página. Mas a história continua. Capítulos passados fazem parte do que há de vir a ser o próximo. Dessa verdade, não há forma de fuga.

Portanto, a minha expectativa para o próxim ano é de que eu não perca a noção de que minha vida -apesar de eu amar tanto as reviravoltas e me animar com mudanças e novos caminhos - é antes, uma continuidade. E que cada traço meu implica no final do quadro que está sendo pintado. Cada vírgula ou interrogação que eu imprima em meus papéis farão parte do roteiro ao qual eu sigo e invento diariamente. Mas me dou o direito de fazer um pedido: que nos próximos dias as coisas todas desse mundo sejam menos dependentes de horários, regularidades e métodos. Quem sabe assim, eu possa então me sentir mais à vontade no meio das minhas tantas bagunças?