quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Não virou texto.

Inspirado nesse texto aqui, da Daiany Maia, minha chefe no Meninas Improváveis



Não deu tempo. Você foi embora antes. Antes de chegar, talvez. Nossas lembranças não são suficientes pra que eu faça aqui uma resenha qualquer de nossos momentos e nem da saudade que vai ficar. Essa saudade é difícil de explicar. É saudade do que não existiu. Do que nunca teve pretensão de ser. Ou nunca teve chance de nascer. 

Eu nem posso dizer que vou me pegar um dia pensando se você fez aquela viagem ou comprou aquela carro. Se terminou de ler aquele livro ou se fez as pazes com aquele velho amigo. Não sei pra que lugar você me levaria ou gostaria de ir sozinho. Não sei que carro gostaria de dirigir. Nem sei se gosta de ler! E nunca te ouvi falar de nenhum amigo. 

Não deu tempo. Duas ou três madrugadas não foram suficientes pra que eu te conhecesse o bastante pra me fazer falta. Duas ou três madrugadas não foram capazes de me fazer pensar em acordar do teu lado pro resto da vida. Duas ou três madrugadas não me fizeram querer te trazer aqui. 

Eu só vim pra te dizer que você não pertence à minha memória. Que você não estará em nenhuma recordação, porque você não chegou. Você foi antes de chegar. Não deu tempo. E é isso que incomoda agora: a falta que você não pode fazer, mas que insiste, existe e persiste.


E pra enfeitar:

7 comentários:

Dai disse...

Não sou chefe nada!

Ó, complicado gente assim, pessoas que não ficaram o suficiente pra ser presença mas que de alguma forma conseguem deixar buraco, ausência.

Tenho presenças ausentes assim.

E eu me lembrei dessa música, que não tem muito a ver, mas tem..rs

http://www.youtube.com/watch?v=E9Ww35XodtI

Luna Sanchez disse...

Nem sempre a gente precisa praticar o desapego, às vezes ele se faz sozinho.

:p

Beijocas.

Camyli Alessandra disse...

Saudades do que poderia ter sido... copiei la no meu blog e coloquei os créditos. amei o texto!

Alexandre Fernandes disse...

É complicado. Às vezes o encanto é muito rápido. Vem e vai. E mesmo nesta aparente sensação de que não houve tempo para firmar, a gente não leva em conta certas pessoas. Porque existem pessoas assim, cheias, com sentimentos inteiros, com personalidade marcante, e com o peso necessário para em pouco tempo marcar o solo do coração. E por mais rápido que vá, sempre vai ali persistir...

É complicado. Sei como é...

Beijos!

Jaya Magalhães disse...

Eu sempre digo: ir também é uma maneira de se deixar ficar. E isso não poderia caber mais exato em nenhum outro instante que não aí, nessas tuas letras.

Ficou, mesmo sem estar.

Um beijo, dona Cá.

Gurias Arretadas disse...

Que belo texto, hein?
É, o vazio do não-dito, do não-vivido... É, esse vazio por vezes faz mais falta do que aquele vazio preenchido de lembranças.

Adorei o texto!

Ana Seerig

Elaine disse...

Carol, amei esse texto, deve ser porque também sinto falta do que nunca foi meu.