quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

fotografia II

com um brilho inconfundível nos olhos e as mãos trêmulas, ela chega ao restaurante combinado, na hora certa. senta-se à mesa reservada para dois e diz ao garçon que está aguardando uma pessoa. pede uma água. a ansiedade faz ela folhear o cardápio rapidamente e mexer nos cabelos compulsivamente. passam-se alguns minutos e o garço volta, incoveniente, perguntando se ela deseja mais alguma coisa. ela não poderia dizer ao garçon quais eram os seus desejos. jamais poderia lhe contar que o que ela quer é beijar aquela boca macia novamente. e sentir um perfume que a deixa excitada. e juntar seu corpo no dele, como se não houvesse mesmo nada que os separasse.
ela pega a bolsa, ao sentir a vibração do celular silencioso. uma mensagem. mais uma desculpa. uma lágrima discreta. ela entra no táxi e vai embora. com a lingerie sexy que esperou tanto por ele. com o vestido novo que comprou pensando nele. com as mãos vazias. sem anéis, sem aliança. ficaram pra trás todos os beijos. ela não pode contar sobre o curso novo, não pode sentir o seu perfume, não pode se embriagar e se entregar, como queria apenas.
enfim, só lhe resta voltar pra casa.

3 comentários:

Dai disse...

É difícil criar expectativas assim e se decepcionar. Mas uma coisa é certa, a gente não deveria se deixar machucar, pela mesma pessoa sobretudo, mais que uma vez.

bjo

Insolente disse...

ih, parecem que eles resolveram se unir no dia internacional da frustração. Espera é sempre difícil, mas se dispor a esperar ainda...é uma delicadeza impagável.

Alexandre Fernandes disse...

Poxa vida, é frustrante uma situação dessas. Não apenas, mas triste. A expectativa vai pelo ralo. a lágrima escondida teima em aparecer ali. Mas não é vergonha nenhuma sentir essa dor. Ela é mais que compreensível, por toda a dificuldade em encarar a situação.

Nossa, que aperto meu deu aqui.

=/

Beijos!